terça-feira, 24 de novembro de 2009

Gran Torino

Perdi esse filme no cinema, mas consegui assisti-lo no dvd. Filmaço. Clint Eastwood, excelente, faz o papel de um ex-veterano da Guerra da Coréia e operário aposentado da Ford no Midwest americano, que depois da morte da esposa, passa a viver sozinho na velha casa da família num bairro que, de brancos de classe média e média-baixa, foi tomado por imigrantes de uma pequena etnia asiática. Com pouco contato com a família, isto é, seus filhos e netos, todos uns interesseiros que querem o colocar no asilo e se apossar dos bens que lhe restam, o velho vence os preconceitos em relaçãos aos vizinhos e desenvolve uma relação com o casal de jovens irmãos que moram na casa ao lado, tornando-se um pai para o garoto adolescente.

O legal do filme é que tem elementos pra desagradar tanto conservadores como a esquerda “líberal” (tal como os norteamericanos usam o termo): o personagem de Eastwood é um descendente de polacos preconceituoso e politicamente incorreto e anda armado, com a cara sinistra e os rosnados que o ator se caracterizou por estampar nas telas. Porém, é ateu e é rude com o jovem padre da paróquia local quando este o interpela por não se confessar ao vigário: “o que um virgem de 27 anos recém saído do seminário tem a dizer a mim sobre a morte?”. Tem antipatia por imigrantes, sobretudo asiáticos (que os fazem lembrar os coreanos que enfrentou na Guerra) mas reconhece na família vizinha mas laços de solidariedade e de respeito do que em sua própria família que ajudou a criar. Além do mais, retrata a degradação urbana que se acometeu de antigas áreas industriais dos EUA nas últimas décadas, fruto da realocação das fábricas em outros lugares do mundo, em busca de custos menores.

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